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Julho 01, 2005

Um bocado de mim na caneta de outro I

"Bateram à porta – não abriste
Estavas a convocar nesse instante a brancura
Dos dados por lançar e o corvo do sr. Poe mais
O maléfico negrume dos mares de melville e
Os passos em redor do andarilho etíope e
As mulheres da patagónia que estão sentadas
Ao fim da tarde
À beira de insondáveis glaciares

Seguias absorto o percurso daquele que comprava
Revistas tabaco souvenirs e via comboios
Sumirem-se na gare de Munique – mais a rua onde
Te encontro e te perco – rapaz
A quem se esqueceram de dizer que tinha um corpo
De papel bom para amachucar com os dentes

É verdade – bateram à porta
Mas não podias abrir
Nesta casa só sobrevive a memória turva
Dos poemas amados – mais ninguém mais nada
Além da parede de lodo e da caixa de sapatos
Cheia de sílabas preciosas – e uma mesa pequena
Com um albatroz empalhado para te vigiar a alma

A um canto da sala o cigarro continua a arder
Na ponta dos dedos do teu retrato escondido
Atrás do sofá – virado para a parede
Como tu
Coberto de bolor de sustos e de aborrecimento"

Fantasmas - Al Berto